O
trabalhador sai de casa, pega duas a três conduções e demora até cinco
horas para chegar ao local de trabalho. Nada muito fora da realidade
que muitos brasileiros enfrentam no cotidiano das grandes cidades. A
diferença está no fato de o “escritório de trabalho” estar situado a
300 quilômetros da costa brasileira: uma plataforma do pré-sal.
Helicópteros
de grande porte, lanchas ultra-rápidas e hubs marítimos – espécie de
ilhas artificiais – estão sendo mobilizados pela Petrobras para o
atendimento logístico da nova fronteira petrolífera. Há um plano da
estatal para construção de novos aeroportos e portos, além da adoção de
um sistema inteligente de rastreamento de todas as cargas embarcadas
em direção às plataformas.
A locomoção
de pessoas e cargas para explorar o petróleo no mar não é uma novidade.
Mas o que se faz no mar sempre é mais difícil do que fazer em terra. A
primeira exploração de petróleo no mar – em águas rasas – começou em
1947 na Louisiana, nos Estados Unidos. Desde meados dos anos 1970,
quando a Petrobras começou a exploração de óleo na bacia de Campos, o
vai-e-vem nas plataformas marítimas no Brasil é frenético.
Mas a
estrutura que está sendo montada pela Petrobras não tem precedente na
história da indústria petrolífera. “A gente tem uma condição que só se
repete aqui”, diz o Gerente-Geral da Unidade de Serviços de Logística
da Petrobras, Ricardo Albuquerque Araújo. “Em nenhum lugar do mundo,
uma grande operação numa grande área offshore é feita por uma única
empresa.”
De acordo
com Araújo, no Golfo do México, há inúmeras plataformas administradas
por inúmeras empresas e inúmeras logísticas. “No Mar do Norte, há menos
plataformas operadas por menos empresas e logísticas menores. E na
Costa da África, é tudo bem fragmentado.”
Operação aérea entre os 20 maiores aeroportos
Na sala em
que ocupa no 9º andar de um prédio na praia de Imbetiba, no município
fluminense de Macaé, com vista ao porto onde partem as embarcações de
apoio para as plataformas da bacia de Campos, a grande descoberta da
Petrobras até o advento do pré-sal, Araújo responde pela logística que
atende a companhia.
Para o
deslocamento de pessoas, a Petrobras vai transportar o dobro de
contingente para as plataformas até 2017. Atualmente, os helicópteros
levam e trazem 70 mil passageiros por mês, o que dá uma oferta de cerca
de 850 mil passageiros por ano. A previsão é chegar a 1,6 milhão de
passageiros, o que colocaria a operação da Petrobras entre os 20
aeroportos com maior volume de passageiros do País.
A nova
demanda significará um aumento na oferta de helicópteros de grande
porte contratados pela Petrobras. São aeronaves que transportam entre
18 a 20 pessoas, incluindo o piloto, co-piloto e um comissário de
bordo.
No início da
década, a Petrobras mapeou o uso de helicópteros no mundo offshore e
sentiu-se confortável na escolha de dois modelos: o S92, fabricado pela
americana Sikorsky, e o EC-225, da francesa Eurocopter, ambos
inspirados em versões de modelos militares. Cada uma custa por volta de
US$ 15 milhões a US$ 20 milhões, dependendo das opções de acessórios.
Atingindo
velocidade de até 280 quilômetros por hora, a grande vantagem das
aeronaves de grande porte é a autonomia de vôo. Pelas normas da
Petrobras, um helicóptero com lotação completa tem de possuir
capacidade de aterrisar numa plataforma do pré-sal, voltar ao continente
e sobrar ainda meia hora como margem de segurança.
Desde 2008, a
empresa passou a contratar esse tipo de aeronave de empresas de taxi
aéreo. Atualmente, há 15 contratadas, das quais 12 estão em operação.
“A gente pretende aumentar a quantidade destas aeronaves na nossa
frota”, diz Araújo. Mas faz segredo de quantos helicópteros serão
contratados nos próximos anos, embora dê uma pista: “A proporção do
número de assentos será 50% de grande porte e 50% de médio porte.”
Hubs marítimos
No entanto,
nem todos vão utilizar os helicópteros em viagens longas. A Petrobras
planeja criar um hub marítimo, como se fossem ilhas artificiais. “A
ideia não é alguém numa ilha tomando água de coco, pegando sol”, diz
Araújo, brincando. A intenção é transformar uma plataforma ou um navio
em um ponto intermédiário no mar.
No plano em
estudo, os empregados chegarão de lanchas ultra-rápidas, farão o
transbordo para o hub marítimo e, de lá, pegarão um helicóptero de
médio porte que acomoda 12 passageiros até a plataforma do pré-sal. As
lanchas, espécies de ferry-boats, terão velocidade de 30 nós – o
equivalente a 55 quilômetros por hora – e as viagens não poderão durar
mais do que cinco horas, a depender do bem estar e conforto oferecido ao
passageiro.
Na viagem,
tempo para uma soneca ou assistir um filme. As lanchas poderão ter 400 a
500 passageiros bem acomodados em poltronas iguais as de cinemas. No
caso das ilhas artificiais, a Petrobras estuda criar alojamentos e
helipontos. A Petrobras ainda define o melhor formato da operação
prevista para começar em 2014, mas Araújo acredita que a decisão sobre
como fazer ainda pode sair ainda neste ano.
Novos aeroportos e portos
Para
comportar as novas operações, a Petrobras planeja expandir sua base
logística em terra até 2017. Hoje, a estatal opera em sete aeroportos e
prevê mais três bases para decolagem e pouso de helicópteros: Um novo
em Campos dos Goytacazes (RJ), outro novinho em Itaguaí (RJ) e um
terceiro na Base Aérea de Santos, que fica, ironicamente, no Guarujá
(SP). No caso dos portos, a ideia é construir também três novas bases
para as atuais quatro operações portuárias: Anchieta (ES), Itaguaí (RJ)
e Santos (SP).
Para o
Gerente-Geral de Logística da Petrobras, engenheiro de formação e
funcionário da companhia desde 1987, há exageros quando se fala nas
dificuldades que a empresa enfrentará na nova fronteira petrolífera.
“A Petrobras
tem 240 embarcações, dos quais metade com bandeira brasileira. E elas
vêm para cá do Mar do Norte, da África, as plataformas chegam da China,
da Coréia. Teoricamente, podemos atingir qualquer distância. Aliás, o
pré-sal já é uma realidade.”
Mas ele
admite existir um esforço adicional para o atendimento da nova
logística. As sondas e plataformas do pré-sal estão situadas a 300
quilômetros da costa, o dobro da distância dos atuais poços da bacia de
Campos.
“Como os
equipamentos de perfuração são caros, eles precisam chegar ‘just in
time’, afirma Araújo. “Numa distância maior da origem ao destino, a
margem de erro é estreita. E errar gera um custo maior.”
Sistema de rastreamento
Para mitigar
o erro no alcance da longa distância, a empresa está testando um
sistema que permite rastrear toda a carga. Desde o armazém no porto,
passando pelas embarcações até chegar as plataformas, os equipamentos e
mercadorias, entre outros, receberão um chip com código de barras. À
distância, eles poderão ser rastreados por meio de rádio freqüência
(RFID).
Saber com
antecedência o que chega e na hora exata que chega ajuda a administrar a
falta de espaço numa plataforma, a parte mais vulnerável em qualquer
instalação em alto-mar. “Não se ocupa um convés com carga
desnecessária”, diz Araújo. “É preciso sincronizar a logística para
diminuir bastante as longas distâncias que o pré-sal impõe.”
Com as informações – André Vieira / Portal IG
Comentário do Colunista:
O Portal IG está de parabéns ,principalmente o Jornalista André Vieira,
pelas ótimas matérias publicadas ultimamente. O setor do petróleo é
carente justamente disso: informações.
Por Rodrigo Cintra
Petrobras cria Programa de Otimização de Infraestrutura de Logística
O Programa Infralog tem como
objetivo planejar, acompanhar e gerir projetos e ações para atender às
necessidades de infraestrutura logística do Sistema Petrobras até 2020.
O Infralog garantirá uma gestão integrada dos projetos de logística na
Petrobras, otimizando os custos de investimento da Empresa e
contribuindo para a financiabilidade do PNG 2012-2016.
O escopo do Programa inclui atividades
de logística em todo o Brasil, integradas com as áreas de exploração,
produção e transporte de petróleo e gás natural, refino, comercialização
e distribuição de derivados, garantindo de forma mais eficiente a
segurança do abastecimento do mercado nacional e a viabilização das
operações no Polo Pré-Sal.
Em sua primeira fase, o Programa mapeou
as demandas logísticas da Companhia e todos os projetos necessários para
atendê-las. Este portfólio de projetos foi criteriosamente analisado,
em busca de soluções logísticas mais simples, capturando sinergias entre
as áreas da Companhia, reduzindo investimentos e custos operacionais, à
luz das condições legais e regulatórias vigentes.
Como resultados deste trabalho,
são esperadas reduções de até US$ 1,6 bilhão para a Companhia nos
investimentos em logística a serem executados pela Petrobras no
horizonte 2012-2016, atingindo US$ 5,4 bilhões de redução no horizonte
2012-2020.
O programa está estruturado em 4 grandes temas, descritos a seguir:
1) Bases de Apoio Offshore – Trata-se de
projetos e ações ligados à demanda por infraestrutura portuária e
aeroportuária para apoio às atividades marítimas com foco nas bacias do
Espírito Santo, de Campos e de Santos.
2) Destinação de Líquidos de Gás Natural
– A carteira de projetos relacionados a este tema busca oportunidades
para a melhor movimentação e aproveitamento dos líquidos oriundos do
processamento de gás natural do Pré-Sal.
3) Movimentação e Exportação de Petróleo
– O crescimento da produção de petróleo da Companhia faz com que seja
necessária maior capacidade em terminais para movimentação e exportação
de petróleo. Os projetos objetivam a internação de petróleo para as
refinarias da Petrobras assim como a exportação de petróleo em navios
convencionais e de maior porte, otimizando-se o custo do transporte
marítimo.
4) Suprimento e Distribuição de
Derivados e Biocombustíveis – Os projetos distribuem-se por todas as
regiões do país, associados ao crescimento projetado da demanda nacional
por combustíveis. Tipicamente, são projetos de aumento de capacidade de
tancagem, de ampliação de capacidade de dutos e de construção de bases
de distribuição multicliente, e também ações que otimizam o escoamento
da produção das refinarias com o uso da rede logística existente.
Para cada um dos temas acima, foram
estabelecidos objetivos e metas que serão acompanhados de forma
permanente. O Programa Infralog representa uma nova forma de gerir os
projetos na área de logística na Petrobras. A análise de forma integrada
das soluções logísticas possibilitará o aproveitamento de sinergias e
redução de custos de todos os negócios do Sistema Petrobras,
contribuindo para a disciplina de capital, além de abrir oportunidades
para aumento dos investimentos em infraestrutura logística por parte de
terceiros.
Petrobras cria Programa de Otimização de Infraestrutura de Logística
O Programa Infralog tem como
objetivo planejar, acompanhar e gerir projetos e ações para atender às
necessidades de infraestrutura logística do Sistema Petrobras até 2020.
O Infralog garantirá uma gestão integrada dos projetos de logística na
Petrobras, otimizando os custos de investimento da Empresa e
contribuindo para a financiabilidade do PNG 2012-2016.
O escopo do Programa inclui atividades
de logística em todo o Brasil, integradas com as áreas de exploração,
produção e transporte de petróleo e gás natural, refino, comercialização
e distribuição de derivados, garantindo de forma mais eficiente a
segurança do abastecimento do mercado nacional e a viabilização das
operações no Polo Pré-Sal.
Em sua primeira fase, o Programa mapeou
as demandas logísticas da Companhia e todos os projetos necessários para
atendê-las. Este portfólio de projetos foi criteriosamente analisado,
em busca de soluções logísticas mais simples, capturando sinergias entre
as áreas da Companhia, reduzindo investimentos e custos operacionais, à
luz das condições legais e regulatórias vigentes.
Como resultados deste trabalho,
são esperadas reduções de até US$ 1,6 bilhão para a Companhia nos
investimentos em logística a serem executados pela Petrobras no
horizonte 2012-2016, atingindo US$ 5,4 bilhões de redução no horizonte
2012-2020.
O programa está estruturado em 4 grandes temas, descritos a seguir:
1) Bases de Apoio Offshore – Trata-se de
projetos e ações ligados à demanda por infraestrutura portuária e
aeroportuária para apoio às atividades marítimas com foco nas bacias do
Espírito Santo, de Campos e de Santos.
2) Destinação de Líquidos de Gás Natural
– A carteira de projetos relacionados a este tema busca oportunidades
para a melhor movimentação e aproveitamento dos líquidos oriundos do
processamento de gás natural do Pré-Sal.
3) Movimentação e Exportação de Petróleo
– O crescimento da produção de petróleo da Companhia faz com que seja
necessária maior capacidade em terminais para movimentação e exportação
de petróleo. Os projetos objetivam a internação de petróleo para as
refinarias da Petrobras assim como a exportação de petróleo em navios
convencionais e de maior porte, otimizando-se o custo do transporte
marítimo.
4) Suprimento e Distribuição de
Derivados e Biocombustíveis – Os projetos distribuem-se por todas as
regiões do país, associados ao crescimento projetado da demanda nacional
por combustíveis. Tipicamente, são projetos de aumento de capacidade de
tancagem, de ampliação de capacidade de dutos e de construção de bases
de distribuição multicliente, e também ações que otimizam o escoamento
da produção das refinarias com o uso da rede logística existente.
Para cada um dos temas acima, foram
estabelecidos objetivos e metas que serão acompanhados de forma
permanente. O Programa Infralog representa uma nova forma de gerir os
projetos na área de logística na Petrobras. A análise de forma integrada
das soluções logísticas possibilitará o aproveitamento de sinergias e
redução de custos de todos os negócios do Sistema Petrobras,
contribuindo para a disciplina de capital, além de abrir oportunidades
para aumento dos investimentos em infraestrutura logística por parte de
terceiros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário