quinta-feira, 27 de março de 2014

Modulo_3_Armazenagem

MÓDULO 3
3.0 - ARMAZENAGEM
Armazenagem, controle e manuseio de mercadorias são componentes
essenciais da logística. Seus custos são elevados. A seleção
dos locais onde esse processo será feito está intimamente associada aos
custos desse processo.
É conveniente para as organizações alocarem grandes espaços
físicos para armazenagem e estocagem? Sabemos que é muito difícil
especificar a demanda com precisão, por isso, em muitos casos são
necessários à utilização de grande espaço físico. Podemos minimizar
esse espaço, fazendo com que nosso estoque seja o mínimo possível,
reduzindo-se assim os custos totais em armazenagem.
Os estoques podem servir como redutor dos custos de transportes,
pois permite o uso de quantidades econômicas de transportes,
ou seja, utilizando-se o máximo que o responsável pelo frete consegue
lhe trazer você estaria economizando custos com esse serviço.
Muitas empresas, porém, nos dias atuais, estão evitando as
necessidades de estoques, aplicando a filosofia JUST-IN-TIME. Entretanto
é muito importante que a demanda por produtos acabados seja
Vista geral de um armazém
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conhecida com alto grau de precisão e com fornecedores confiáveis a
fim de obter um suprimento adequado à demanda, caso contrário, tal
método não funciona.
Caso exista a necessidade de armazenar matérias é muito importante
e até preocupante controlar esses estoques. Os custos com armazenagem
e manuseio de mercadorias podem absorver de 10 a 40%
das despesas logísticas de uma firma.
3.1 - NECESSIDADES DE ESPAÇO FÍSICO
As empresas necessitam de espaço físico para estocagem?
Quais os motivos que levam as firmas a ter enormes armazéns para
estocagem? Esses são pontos importantes a serem respondidos antes
de ser feito qualquer ato concreto. Se as demandas forem todas conhecidas
com exatidão, e as mercadorias puderem ser fornecidas instantaneamente,
não há necessidade para manter espaço físico para estoque.
Porém isso não costuma ocorrer com frequência por diversos motivos:
demanda variável, atraso nos fornecimentos, marketing, etc.
Podemos reduzir os custos de armazenagem utilizando como
base quatro razões básicas:
1 - Reduzir Custos de Transporte e Produção - a estocagem
de produtos, tende a reduzir custos de transporte pela compensação nos
custos de produção e estocagem.
2 - Coordenação de Suprimento e Demanda - Caso
trabalhe-se com produto sazonal (ou seja, que não se pode encontrar em
qualquer época do ano com facilidade), deve-se estocar esses produtos
para venda fora da safra/época, com isso terá um aumento na receita
considerável.
3 - Auxiliar Processo de Produção - A manufatura de certos
produtos, como queijos e bebidas alcoólicas, precisam de um período
de tempo para maturação. No caso de produtos taxados, segurar a mercadoria
até a sua venda evita o pagamento de impostos antecipados.
4 - Auxiliar Marketing - Para a área do marketing somos importantes
à disponibilidade do produto para o mercado. Pela estocagem
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do produto próximo ao consumidor se tem uma entrega mais rápida e
melhoria no nível de serviço, com isso o processo de marketing será um
sucesso.
3.2 - LOCALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS
Estabelecido que temos necessidade por área de armazenagem
devemos definir a localização desse espaço. Primeiro definiremos a
melhor localização geográfica, levando-se em conta se é um local de
fácil acesso, tanto para o fornecedor quanto para o fornecimento, se o
local é ideal para ser um centro de distribuição, o custo para preparar
o terreno, custo de produção, se essa área possui um potencial para
expansão caso seja necessárias futuras ampliações das instalações, disponibilidade
de mão-de-obra local para que não seja preciso trazer trabalhadores
de outro locais, valor do local e sistema viário, verificando
as condições das estradas, se tem muito pedágio até seu destino final.
Localizado o depósito, deve-se determinar o tamanho do edifício.
Verificar se é preferível ter custos com construção ou utilizar um
local alugado. Após construção feita, levar em consideração a segurança
do local e de seus estoques, verificar e avaliar qual tipo de produto
será estocado, para assim saber quais são os cuidados específicos e
necessários de cada material do local.
Uma vez montado e funcionando o depósito, utilizar sempre
que possível à aplicação do importante princípio logístico de despachar
tão longe quanto possível com o maior volume viável, pois, a estrutura
dos fretes é tal que grandes lotes de entrega têm fretes unitários significativamente
mais baixos do que entregas.
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3.3 - IMPORTÂNCIA DA ARMAZENAGEM
De forma a ir ao encontro das necessidades das empresas, e uma
vez que os materiais têm tempos mortos ao longo do processo, estes
necessitam de uma armazenagem racional e devem obedecer a algumas
exigências:
Quantidade: a suficiente para a produção desejada;
Qualidade: a recomendada ou pré-definida como conveniente
no momento de sua utilização;
Oportunidade: a disponibilidade no local e momento desejado;
Preço: o mais econômico possível dentro dos parâmetros mencionados.
3.4 - VANTAGENS DA ARMAZENAGEM
A armazenagem quando efetuada de uma forma racional poderá
trazer inúmeros benefícios os quais se traduzem diretamente em
reduções de custos. Se não vejamos:
Redução de risco de acidente e consequentemente aumento da
segurança;
Satisfação e aumento da motivação dos trabalhadores;
Incremento na produção e maior utilização da tecnologia;
Melhor aproveitamento do espaço;
Redução dos custos de movimentações bem como das existências;
Facilidade na fiscalização do processo e consequente diminuição
de erros;
Redução de perdas e inutilidades;
Versatilidade perante novas condições.
3.5 - DESVANTAGENS DA ARMAZENAGEM
Algumas desvantagens da armazenagem são:
Os materiais armazenados estão sujeitos a capitais os quais se
traduzem em juros a pagar;
A armazenagem requer a ocupação de recintos próprios ou o
aluguel que se traduz em rendas;
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A armazenagem requer serviços administrativos;
A mercadoria armazenada tem prazos de validade que tem de
ser respeitados;
Um armazém de grandes dimensões implica elevados custos
de movimentações.
3.6 - FATORES QUE AFETAM A ARMAZENAGEM
Na armazenagem pode-se considerar que intervém uma série
de variáveis, as quais se denominam “fatores”. Estes possuem uma influência
específica para cada caso e tem um papel preponderante na
realização de uma boa armazenagem.
Se não veja-se:
O material
O material é destacado como o principal item da armazenagem.
Este pode ser diferenciado pela sua utilização, consumo, e apresentação,
bem como outras características especiais que podem ser determinantes
nas medidas a adotar, devendo-se por isso classificar os materiais
tendo em conta diversos itens.
A espera
A espera é destacada como grande impulsionadora da armazenagem.
Esta traduz-se na antecipação com que os materiais devem ser
colocados na empresa a espera de serem utilizados no processo.
A existência
A existência traduz-se na acumulação ou reunião de materiais
em situação de espera. Este conceito também se pode estender a quantidade
de cada material em espera num armazém.
O tráfego
O tráfego esta incutido no processo de armazenagem, pois este
envolve a reunião de homens, máquinas e principalmente dos materiais.
O tráfego contém geralmente operações com:
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= desacomodação
= carregamento
= movimentações internas do local
= movimentações externas do local
= descarregamento
= colocações
3.7 - CUSTOS NA ARMAZENAGEM
Na armazenagem os custos envolvidos são geralmente fixos e
indiretos, percebendo-se desde logo a dificuldade da gestão das operações
e principalmente o impacto dos custos. Por outro lado, a alta parcela
dos custos fixos na armazenagem potencia a que os custos sejam
proporcionais à capacidade existente no armazém, isto é independentemente
deste estar vazio ou cheio, os custos continuaram os mesmos
uma vez que o espaço, os trabalhadores, os equipamentos e outros investimentos
continuam a existir. Na análise de custos deve-se começar
pela identificação dos itens responsáveis, que podem ser equipamentos,
alugueis de armazém e outros, e prosseguir com o cálculo dos mesmos.
3.8 - ARMAZENAGEM EM FUNÇÃO DAS PRIORIDADES
Não existe nenhuma norma que regule o modo como os materiais
devem estar dispostos no armazém, porém essa decisão depende de
vários fatores.
= Armazenagem por agrupamento
Esta espécie de armazenagem facilita a arrumação e busca de
materiais, podendo prejudicar o aprovisionamento do espaço. É o caso
dos moldes, peças, lotes de aprovisionamento aos quais se atribui um
número que por sua vez pertence a um grupo, identificando-os com a
divisão da estante respectiva.
= Armazenamento por tamanho, peso e característica do material
Neste critério o talão de saída deve conter a informação relativa
ao setor do armazém onde o material se encontra. Este critério per31
mite um melhor aprovisionamento do espaço, mas exige um controle
rigoroso de todas movimentações.
= Armazenagem por frequência
O controle através da ficha técnica permite determinar o local
onde o material deverá ser colocado, consoante a frequência com que
este é movimentado. A ficha técnica também consegue verificar o tamanho
das estantes, de modo a racionalizar o aproveitamento do espaço.
= Armazenagem com separação entre lote de reserva e lote diário
Esta armazenagem é constituída por um segundo armazém de
pequenos lotes o qual se destina a cobrir as necessidades do dia-a-dia.
Este armazém de movimento possui uma variada gama de materiais.
= Armazenagem por sectores de montagem
Neste tipo de armazenagem as peças de série são englobadas
num só grupo, de forma a constituir uma base de uma produção por
família de peças. Este critério conduz à organização das peças por prioridades
dentro de cada grupo.
A mecanização dos processos de armazenagem fará com que o
critério do percurso mais breve e de menor frequência seja implementado
na elaboração de novas técnicas de armazenagem.
3.9 - TIPOS DE ARMAZENAGEM
= Armazenagem temporária
Aqui podem ser criadas armações corridas de modo a conseguir
uma arrumação fácil do material, colocação de estrados para uma armazenagem
direta, pranchas entre outros. Aqui a força da gravidade joga
a favor.
= Armazenagem permanente
É um processo predefinido num local destinado ao depósito de
matérias. O fluxo de material determina:
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= A disposição do armazém critério de armazenagem.
= A técnica de armazenagem espaço físico no armazém.
= Os acessórios do armazém.
= A organização da armazenagem.
Armazenagem interior/exterior
A armazenagem ao ar livre representa uma clara vantagem a
nível econômico, sendo esta muito utilizada para material de ferragens
e essencialmente material pesado.
3.10 - MOVIMENTAÇÃO NA ARMAZENAGEM
A movimentação é um fator de extrema importância na armazenagem,
da qual se destaca:
= Ponte móvel ou ponte rolante sobre o armazém
Na ponte móvel o material é colhido verticalmente, o que ajuda
nos acessos. É o caso do material metálico, que implica uma armazenagem
de curta distância.
= Armazém munido de guindaste em rodas
Para o guindaste em rodas já são precisos acessos de maior dimensão,
pois este guindaste não possui um grande alcance. O guindaste
têm de estar bem firme, ao passo que o material necessita de carris ou
pranchas para ser movimentado.
= Movimentação por empilhador ao ar livre
Para a utilização do empilhador ao ar livre são necessários bons
acessos. O material tem de ser previamente colocado em estrados, visto
que o empilhador não tem ajudas. O solo deve ser firme e consiste.
3.11 - ARMAZENAGEM EM FUNÇÃO DOS MATERIAIS
A armazenagem deve ter em conta a natureza dos materiais de
modo a obter-se uma disposição racional do armazém, sendo importante
classificá-los:
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= Material diverso
O principal objetivo é agregar o material em unidades de transporte
e armazenagem tão grandes quanto possíveis de modo a
preencher o veículo por completo.
= Material a granel
A armazenagem deste material deve ocorrer nas imediações do
local de utilização, pois o transporte deste tipo de material é
dispendioso. Para grandes quantidades deste material armazenagem
faz-se em silos ou reservatórios de grandes dimensões. Para quantidades
menores utilizam-se bidões, latas e caixas.
= Líquidos
Nos líquidos aplica-se a mesma lógica do material a granel. Estes
tem a vantagem de poderem ser diretamente conduzidos do local de
armazenagem para a fábrica através de condutas.
= Gases
Os gases obedecem a medidas especiais de precaução, uma vez
que tornam-se perigosos ao estarem sujeitos a altas pressões e serem inflamáveis.
Por sua vez a armazenagem de garrafas de gás está sujeita a
regras especificas e as unidades de transporte são por norma de grandes
dimensões.
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3.12 - PICKING
O picking, também conhecido por order picking (separação e
preparação), consiste na recolha em armazém de certos produtos (podendo
ser diferentes em categoria e quantidades), face a pedido de um
cliente, de forma a satisfazer o mesmo.
3.12.1 - ATIVIDADE DE PICKING
Embora a atividade do picking reduza substancialmente o
tempo de ciclo de pedido (tempo que vai desde o pedido do cliente
até a entrega dos produtos colhidos em armazém ao mesmo), este tem
um acréscimo substancial, cerca de 30 a 40% (dependendo do tipo de
armazenagem) do custo de mão-de-obra do armazém. Através do uso
de sistemas de controle e monitoramento que suportem os níveis de serviço,
esta atividade deve ser bastante flexível de forma a assegurar uma
operação de qualidade face ao progressivo aumento das necessidades e
exigências dos clientes.
Seja qual for o tamanho do armazém, tipo e volume de stock
armazenado ou sistema de controle em vigor, o maior fator a que se
deve atender no melhoramento do picking de um armazém é o posicionamento
dos produtos e o fluxo de informação e documentos.
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3.12.2 - PRODUTOS
= Prioridade aos produtos com maior giro:
A primeira intervenção, será distinguir os tipos de produtos
existentes em armazém, atribuindo-lhes classificações do tipo A, B
ou C (segundo a lei de Pareto). Observar-se á que 20% dos produtos
correspondem a 80% das movimentações do armazém. Essa minoria
de produtos com maior giro deve ser colocada em pontos de mais
fácil acesso para os operadores, fazendo com que estes os retirem ou
reponham, mais rapidamente.
= Organização dos pedidos segundo a sua localização:
Cada pedido de picking deve vir organizado tendo em conta as
proximidades entre os produtos pretendidos assim como a acessibilidade
aos mesmos tendo em vista minimizar as deslocações do operador.
= Implementação de um sistema apurado de localização de produtos:
Através deste meio de localização rápida do produto, por
endereço ou esquema, podemos reduzir de forma considerável a procura
pelo artigo, acelerando a atividade de separação de artigos.
= Não proceder à contagem de produtos durante a separação:
A contagem de produtos recolhidos durante a atividade de separação
é um forte contributo para o aumento do tempo de ciclo de pedido.
Assim, os produtos devem vir agrupados em caixas ou caixotes (packs)
com quantidades significativas do mesmo, por exemplo, se o cliente
desejar 50 pacotes de pastilhas elásticas, devem existir em armazém
packs de 10 pastilhas elásticas, precisando, o operador, apenas de 5
packs, tornando mais rápida a recolha e a contagem do produto.
3.12.2.1 - DOCUMENTAÇÃO
= Uso de documentos classificados e de fácil operacionalidade:
Estes documentos devem conter informação de forma clara
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e sucinta para que o operador seja rápido a interpretá-la, facilitando a
atividade de separação dos produtos. Deve-se restringir à localização,
descrição e quantidade do produto. Estes três tópicos devem ser corretamente
destacados no documento para rápida leitura. Quanto menos
tempo se perder na leitura do documento e na procura do produto
menor será o tempo de atividade e assim se obterá melhor rendimento
do picking.
= Eliminação de documentos em papel:
A informação escrita em papel serve para ser lida, interpretada
e realizada pelo operador e em casos excepcionais, comparada com
algum sistema de controle. Esta forma de atuar dá, frequentemente,
origem a erros. Os documentos em papel devem ser então substituídos
por leitores de código de barras, sistemas de reconhecimento de voz ou
terminais de rádio.
3.12.3 - OPERAÇÃO
= Avaliação do operador:
Os operadores responsáveis pelo sistema de picking devem ser
avaliados segundo a sua performance e correta separação de produtos.
Em casos de desvios a uma potencial margem de erro, deve-se analisar
não só o operador, assim como o sistema de forma a descobrir a fonte
do erro.
3.12.4 - ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE PICKING
Como já referido anteriormente, o fator deslocação, durante a
recolha de pedidos, é o principal contribuinte para o tempo gasto pelos
operadores. Com isso, e tendo em vista a redução do tempo de deslocação,
deve-se minimizar esssas movimentações de forma a aumentar a
produtividade.
Existem soluções tecnológicas que deslocam, armazenam e recolhem
produtos com alta precisão, velocidade e eficácia. Carrousels,
mini-loads, sistemas AS/RS (Automatic Storage e Retrievel Systems)
e WMS são exemplos desses sistemas que trazem até ao operador os
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produtos específicos durante a recolha, cooperando para a redução da
movimentação do mesmo e do tempo de contagem.
Geralmente, após a implementação de um processo de picking,
a tendência é recorrer de imediato ao uso destas tecnologias sem levar
em conta, a priori, a estratégia de picking a utilizar. Dependendo
do tipo de empresa e da metodologia praticada, existem soluções tecnológicas
que poderão apenas trazer à empresa um acréscimo de custos
quando a solução poderia constar apenar na alteração das estratégias de
organização dos operadores.
3.12.5- ESTRATÉGIAS DE ORGANIZAÇÃO DO PICKING
Os fatores cruciais na definição da estratégia a adaptar numa
atividade de picking são: o número de operadores por pedido (se é necessário
apenas um ou mais trabalhadores para operar um pedido), o
número de produtos por pedido (se o operador deve recolher um ou
vários pedidos em um ou vários deslocamentos) e os períodos para
agendamento do picking (qual o número de janelas para a recolha
Scanner de Mão para Leitura
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de produtos que devem ser feitas por turno e conciliar o picking com
outras atividades como o recebimento e expedição de produtos).
Podemos diferenciar quatro estratégias de recolha de produtos:
3.12.5.1 - PICKING DISCRETO
Neste método, é apenas um operador que inicia e completa a
recolha, coletando apenas um produto por pedido. Corresponde a forma
de recolha de produtos mais fácil a operar, tendo um baixo índice de
erro associado. Apesar da margem de erro ser reduzida, é o método que
origina um maior decréscimo da produtividade devido ao excesso de
tempo perdido durante os deslocamentos.
3.12.5.2 - PICKING POR ZONA
A área de armazenagem é dividida por zonas, conforme os
produtos nelas existentes, e cada zona está a cargo de um operador.
Face a um pedido (de vários produtos), cada operador recolhe, das
suas respectivas zonas, os produtos e deposita-os numa área comum
de consolidação. Isto significa que podem existir vários trabalhadores a
operar para apenas um pedido o que é vantajoso em termos de deslocação,
reduzindo-a substancialmente. A maior dificuldade deste método é
balancear os artigos e equipamentos de apoio existentes em armazém,
segundo o seu giro, de forma a não sobrecarregar uma zona com pedidos.
Contudo, as zonas mais produtivas terão que ser as melhores
equipadas.
3.12.5.3 - PICKING POR LOTE
Neste tipo de atividade, há acumulação de pedidos e por cada
deslocação do operador à área de produto pretendido, este acarta com a
soma das quantidades pedidas. Este método resulta numa maior produtividade
do operador desde que o número de produtos a recolher esteja
de acordo com capacidade física do trabalhador. Apesar disto, o índice
de erro neste método aumenta aquando a separação e ordenação dos
pedidos.
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3.12.5.4 - PICKING POR ONDA
É um método similar ao picking discreto: a cada operador
corresponde a colecta de um produto. A diferença consiste no número
de agendamentos de pedidos num turno, assim, os produtos são recolhidos
em certos períodos do dia, trazendo vantagens para a conciliação
do picking com a recepção e expedição de produtos. Outra vantagem,
esta metodologia pode-se fundir a outros métodos de picking, como é o
caso do picking por zona. Mais uma vez, ter e manter um balanceamento
apurado da linha é funcral para esta atividade de forma a evitar a
sobrecarga de operadores ou equipamentos.
3.12.6 - BUCKET BRIGADES
Uma outra nova estratégia de picking fora desenvolvida por
professores da prestigiada Geórgia Tech (Universidade da Geórgia) e
já é usada em várias empresas de renome como é o caso da Readers Digest,
Blockbuster Music ou Mitsubishi Consumer Eletronics América.
Esta estratégia denominada de Bucket Brigades tem como função autobalancear
as linhas de produção dessas empresas. Isto é, através do aumento
ou diminuição das taxas de pedido, o sistema se auto-organiza,
evitando o sobrecarregamento de operadores e/ou equipamentos.
3.12.7 - VANTAGENS
Os principais benefícios do uso da estratégia de Bucket Brigades
são:
= Redução da necessidade planeamento e administração da linha;
= Por meio do auto-ajuste, o processo torna-se mais ágil e flexível;
= Com a optimização da divisão de pedidos, o número das unidades
processadas aumenta;
= Redução do trabalho secundário e aumento da qualidade do principal
trabalho;
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3.12.8 - SIMULAÇÃO NO PICKING
Para ajuda na decisão das estratégias e equipamentos a usar nas diversas
alternativas do picking, a simulação, apresenta-se como uma ferramenta
bastante útil. Desta forma, após o traçar das alternativas viáveis
ao projeto, devem ser criados modelos computacionais com base em:
= tempo de atividade;
= número de trabalhadores;
= número de equipamentos (empilhadeiras, esteiras, etc.);
= número de produtos;
= perfil dos pedidos;
= estratégia de picking;
= etc.
O exemplo de um bom sistema a adotar, é um sistema com uma base
estatística nos diversos parâmetros do picking, como nos tempos de
recolha e separação de pedidos, número de pedidos recolhidos por dia,
utilização da capacidade dos trabalhadores, utilização de recursos, etc.
Por meio deste modelo é permitido simular virtualmente esta conjugação
de atividades e assim fazer uma análise financeira, prevendo
se existe uma relação desejada entre o custo de cada alternativa e o
desempenho desejado, evitando a compra antecipada de equipamentos
e/ou contratação de pessoas.

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