MÓDULO 4
4.0 - STOCKS
Stock, em Portugal, estoque, no Brasil, ou existências (em logística)
são designações usadas para definir quantidades armazenadas ou em
processo de produção de quaisquer recursos necessários para dar origem
a um bem com a função principal de criar uma independência
entre os vários estágios da cadeia produtiva. Armazenagem em função
dos materiais.
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Conforme já citado anteriormente, a logística está voltada para
a gestão do processo produtivo, ou seja, a cadeia de suprimentos, e
nessa cadeia, destaca-se para os objetivos deste trabalho, os estoques
das empresas.
Muito se tem discutido sobre as atribuições dos estudos logísticos,
porém quanto mais se discute, mais necessidade de discussão aparece.
O gerenciamento da relação entre custo e nível de serviço tem
sido considerado hoje como o principal desafio da logística moderna.
A redução do prazo de entrega com maior disponibilidade de
produtos sem aumentar a quantidade exageradamente e os custos, o
cumprimento do prazo de entrega e maior facilidade de colocação de
pedidos tem sido a busca constante dos estudiosos da logística.
Estoques são acúmulos de recursos materiais entre fases específicas
de processos de transformação. Logicamente, que a definição
retro está voltada muito mais para empresas industriais, onde se concebe
a transformação de uma matéria-prima qualquer em um produto,
todavia, existem também os estoques de mercadorias para revenda, que
também podem ter tratamentos diferenciados.
Algumas das razões da existência dos estoques é a impossibilidade
ou inviabilidade de coordenar suprimento e demanda, quer por
incapacidade, pelo alto custo de ostenção ou por restrições tecnológicas;
com fins especulativos, pela escassez ou pela oportunidade; com
a finalidade de gerenciar incertezas de previsões de suprimento e/ou
demanda, na formação de estoque de segurança.
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Classes de estoque que podemos encontrar:
= Estoque de produtos em processo:
Este tipo de estoques baseia-se essencialmente em todos os artigos solicitados
necessários para fabricação ou montagem do produto final,
que se encontram nas várias fases de produção.
= Estoque de matéria-prima e materiais auxiliares:
Nestes estoques encontramos materiais secundários, como componentes
que irão integrar o produto final. São usualmente compostos por
materiais brutos destinados à transformação.
= Estoque operacional:
É um tipo de estoque destinado a evitar possíveis interrupções na
produção por defeito ou quebra de algum equipamento. É constituído
por lubrificantes ou quaisquer materiais destinados à manutenção,
substituição ou reparos tais como componentes ou peças sobressalentes.
= Estoque de produtos acabados:
É o estoque composto pelo produto que teve seu processo de fabricação
finalizado. Em empresas comerciais é chamado de estoque de mercadorias.
Usualmente são materiais que se encontram em depósitos próprios para
expedição. São formados por materiais ou produtos em condições de
serem vendidos.
= Estoque de materiais administrativos:
É formado de materiais destinados ao desenvolvimento das atividades
da empresa e utilizados nas áreas administrativas da mesmas,
tais como: impressos, papel, formulários, etc.
Baseado na sua utilidade, os stocks podem ainda ser colocados
numa destas categorias:
= Stock em lotes - constitui o stock adquirido no sentido de antecipar
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as exigências, nesse sentido, é feita uma encomenda em lotes numa
quantidade maior do que o necessário;
= Stock de segurança - é o stock destinado a fazer face a incertezas
tanto do ponto de vista do fornecimento como das vendas;
= Stock sazonal - trata-se do stock constituído para afrontar picos de
procura sazonais, ou rupturas na cadeia produtiva;
= Stock em trânsito - são artigos armazenados com vista a entrarem
no processo produtivo;
= Stock de desacoplamento - trata-se do stock acumulado entre atividade
da produção ou em fases dependentes;
= Stock parado ou congestionado - este é designado desta forma
visto os artigos terem uma produção limitada, entrando por isso numa
espécie de competição. Visto os diferentes artigos partilharem o mesmo
equipamento de produção e os tempos de instalação, os produtos tendem
a acumular enquanto esperam que o equipamento fique disponível.
4.1- VANTAGENS NA CONSTITUIÇÃO DE STOCKS
Fatores mais relevantes que levam as organizações a constituir
stock:
= Podem-se constituir stocks com uma finalidade especulativa,
comprando-se os mesmos a baixos preços para os vender a preços altos;
= Para assegurar o consumo regular de um produto em caso de a sua
produção ser irregular.
= Geralmente, na compra de grandes quantidades beneficia-se de uma
redução do preço unitário;
= Não sendo prático o transporte de produtos em pequenas quantidades,
opta-se por encher os veículos de transporte no intuito de economizar
nos custos de transporte, o que se traduz numa constituição de
stock;
A existência de stock pode-se justificar apenas pela legítima
preocupação em fazer face às variações de consumo;
Para prevenção contra atrasos nas entregas, provocados por avarias durante
a produção, greves laborais, problemas no transporte, etc;
Armazenamento de produtos, se a produção for superior ao consumo,
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em alturas de crise poderá contribuir para evitar tensões sociais;
Beneficia-se da existência de stock, quando este evita o incomodo de se
fazer entregas ou compras demasiado frequentes.
4.2- DESVANTAGENS NA CONSTITUIÇÃO DE STOCKS
Principais inconvenientes na constituição de stocks:
Um dos inconvenientes diz respeito à própria fragilidade de certos
produtos, que não possuem condições de serem mantidos em stock
ou poderão ser mantidos em períodos muito curtos;
Outro problema, diz respeito ao custo de posse traduzido no fato de
existir material não vendido que vai acabar por imobilizar capital sem
acrescentar valor;
A ruptura apresenta-se como um enorme inconveniente, visto
que a ocorrência desta irá provocar vendas perdidas e em casos extremos
poderá levar à perda de clientes.
4.3- JUST IN TIME
O Just in Time (JIT) surgiu no Japão em meados da década
de 70, sendo sua idéia básica e seu desenvolvimento creditados à
Toyota Motor Company, a qual buscava um sistema de administração
que pudesse coordenar a produção com a demanda específica de diferentes
modelos e cores de veículos com o mínimo atraso.
É uma abordagem conceitual para desenvolver e operar um
sistema de manufatura ou de serviços de maneira simples e eficiente,
capaz de otimizar o uso de recursos de capital, equipamentos e mãode-
obra. Pode ser descrito como uma filosofia de administração que
está constantemente enfocando a eficiência e integração do sistema de
manufatura utilizando o processo mais simples possível, e também a
dedicação ao processo de esforçar-se continuamente para minimizar os
elementos no sistema de manufatura que restrinjam a produtividade.
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= Princípios básicos da filosofia JUST IN TIME
= Cada funcionário ou posto de trabalho é tanto cliente quanto
fornecedor.
= Clientes e fornecedores são uma extensão do processo de manufatura.
= Procurar continuamente simplificar.
= É mais importante prevenir problemas do que resolvê-los.
= Obter ou produzir algo somente quando necessário.
= Princípios gerenciais simples usados pela administração just in
time como instrumento para obtenção de vantagens competitivas:
= Integração e Otimização: reduzir funções e sistemas como inspeção,
retrabalho e estoque.
= Melhoramento Contínuo: Incentivar e desenvolver sistemas internos
que encorajam a melhoria constante nos processos e procedimentos.
= Projetos de novos produtos tendo em vista o processo de manufatura;
= Participação dos funcionários na definição de metas;
= Simplificação e otimização do processo de manufatura.
Percepção do cliente: atender as necessidades do cliente reduzindo seu
custo total na aquisição e uso de um produto.
- Embalagens;
- Expedição;
- Garantia e assistência técnica.
JUST IN TIME é ter somente o necessário, no local necessário,
exatamente quando necessário e na qualidade requerida.
Basicamente significa ítens comprados ou fabricados na qualidade
específicada, na quantidade necessária, no momento exato e no
local determinado.
Técnicas de manufatura integradas à filosofia Just in Time:
SISTEMA KANBAN;
CONTROLE DE QUALIDADE TOTAL
CONTROLE ESTATÍSTICO DO PROCESSO.
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Principais elementos para redução dos custos relacionados com materiais
em um sistema JUST IN TIME:
= Redução do número de fornecedores com os quais a empresa opera.
= Desenvolvimento de contratos em longo prazo.
= Simplificação do sistema de recebimento.
= Eliminação da necessidade de contagem individual das peças.
= Eliminação da inspeção de recebimento.
= Eliminação dos problemas causados pelos grandes lotes.
= Redução dos estoques.
= Eliminação dos excessos de materiais refugados.
Fabricar ou comprar componentes para estoque é contra o
Just in Time que está baseada na idéia que estoques são desperdícios
que prejudicam a lucratividade do negócio. Além do custo do capital
envolvido, estoques tendem a esconder problemas de produção que devem
ser imediatamente resolvidos.
4.3.1 - CONCEITOS JUST IN TIME
Os conceitos e práticas de manufatura geralmente incluidos no
Just in Time, são os seguintes:
- zero defeito ou mínimo inventário em processo.
- qualidade: compromisso de alcançar 100% de rendimento ou zero
defeito.
A ênfase é dada às condições básicas: “fazer certo a primeira vez”.
Este conceito também se estende a todas as pessoas envolvidas na preparação
para a produção.
Arrumação: Eliminação de excessos, materiais fora de uso, peças rejeitadas
e máquinas obsoletas das áreas fabris permitindo identificar
visualmente qualquer irregularidade. “Um lugar para cada objeto e
cada objeto em seu lugar”. Posto de trabalho limpo e arrumado pelos
próprios operadores.
Programa de Produção Balanceado: Balancear a produção em termos
do fluxo e da disponibilidade de materiais.
Produção diarista: produzir todos os dias um pouco de cada produto
para evitar o “corre-corre” no final do mês.
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Redução dos Tempos de Preparação (SET-UP): Padronização de
dispositivos para troca rápida de ferramentas. Redução dos tempos internos
e externos de preparação. Planejar as trocas de serviços.
Máquinas em Disponibilidade: Manutenção preventiva para garantir
qualidade e disponibilidade das máquinas para operação.
Pequenos Lotes de Produção: Associado a redução do tempo de preparação
reduz por sua vez os níveis de inventários em processo. Produzir
somente o necessário para faturamento colocando sempre a máquina
em disponibilidade para novos serviços.
Fluxo Contínuo de Material: Mudanças físicas deverão facilitar o
fluxo da operação. Isto pode incluir linhas dedicadas, tecnologia de
grupo, centro de produção flexível ou automatizações de baixo custo.
Redução de Espaço: Através da redução das distâncias percorridas
pelos ítens, melhoria do lay-out e do sistema de manuseio de materiais.
Redução de Estoques: Estoques devem ser reduzidos drasticamente
para que os problemas apareçam.
Operadores Multifuncionais: Desenvolver força de trabalho flexível
através do treinamento de habilidades.
4.3.2 - IMPLANTAÇÃO DO JUST IN TIME
A implantação do Just in Time e suas técnicas implicam em
mudanças estruturais cujas principais características são:
Comprometimento da Alta Administração: O sucesso do programa
está diretamente ligado ao grau de envolvimento da alta administração.
Somente a partir daí acontecerão mudanças de atitude em toda empresa
no sentido de criar o ambiente Just in Time.
Medidas de Avaliação do Desempenho: A forma de avaliar os diversos
setores deve ser modificada para ser clara, objetiva e voltada a incentivar
o comportamento da equipe em relação aos critérios de competitividade
da empresa dentro do Just in Time.
Estrutura Organizacional: Deve ser modificada e simplificada, reduzindo-
se os departamentos de apoio que em geral são responsáveis
por aspectos que segundo o Just in Time passam a ser responsabilidade
da produção. Devem ser reduzidos os níveis hierárquicos da organização.
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Organização do Trabalho: Deve favorecer a flexibilidade dos
trabalhadores, a comunicação fácil entre os setores produtivos e o sentido
da equipe.
Há duas áreas de operação do sistema Just in Time, que devem
ser desenvolvidas sequencialmente ou em paralelo: dentro da fábrica
onde materiais e informação devem fluir de célula a célula, máquina a
máquina, e entre a fábrica e seu ambiente externo, seja no relacionamento
com fornecedores ou consumidores.
4.3.3 - AS SETE FORMAS DE DESPERDÍCIO
Just in Time pode ser também entendido, como um processo
de manufatura cujo objetivo é aperfeiçoar os processos e procedimentos
através da redução contínua de desperdícios. Eliminar desperdícios
significa analisar todas as atividades realizadas na fábrica e eliminar
aquelas qua não agregam valor ao produto ou serviço.
O Engenheiro Shigeo Shingo, da Toyota Motor Company, identificou
sete categorias de desperdícios:
1 - Excesso de Produção: O Just in Time considera um despedício o
hábito de produzir antecipadamente à demanda, para o caso dos produtos
serem requisitados no futuro.
Considera também desperdício a produção em quantidade maior que o
necessário a título de prevenir quebras.
2 - Tempo ocioso: Refere-se, por exemplo, ao tempo que o material
está esperando para ser processado, formando filas que garantam altas
taxas de ocupação de equipamentos.
3 - Fabricação Indevida: No processo de produção podem estar havendo
desperdícios que podem ser evitados, por exemplo, por que
determinado ítem ou componente deve ser feito? Qual a sua função
no produto? Por que esta etapa do processo é necessária? Neste sentido
torna-se importante a aplicação das metodologias de engenharia e
análise de valor. Qualquer elemento que adicione custo e não valor ao
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produto, é candidato a investigação e eliminação.
4 - Transporte: Layout da fábrica deve ser elaborado no sentido de
minimizar os percursos porque as atividades de transporte e movimentação
não agregam valor ao produto.
5 - Produção Rejeitada: Significa desperdiçar matérias-primas, disponibilidade
de mão-de-obra, disponibilidade de equipamentos, movimentação
e armazenagem de materiais defeituosos, inspeção de produtos,
etc. O processo produtivo deve ser desenvolvido de maneira que
previna ocorrência de defeitos para que se possa eliminar as inspeções.
6 - Atividades Improdutivas: Contagens, inspeção são exemplos típicos
de atividades improdutivas. Não agregam valor ao produto.
7 - Estoques: Além de ocultarem outros tipos de desperdício,
significam desperdício de investimentos e espaço. Eliminando-se todos
os outros desperdícios reduz-se por consequência os desperdícios
de estoque. Isto pode ser feito reduzindo-se o tempo de preparação de
máquinas e os lead times de produção, sincronizando-se os fluxos de
trabalhos, reduzindo-se as flutuações de demanda, tornando-se as máquinas
confiáveis e garantindo a qualidade dos processos.
4.4 - KANBAN
Os estudos de métodos de programação e controle da produção
desenvolvidos e aplicados pela dupla Ford-Taylor , enfatizaram o processo
de manufatura em massa, isto é, o fator importante era a divisão
das tarefas e a determinação, através dos estudos dos movimentos, de
tempos-padrão de fabricação reduzidos. Homens e máquinas deveriam
produzir o máximo possível neste sistema, não deveriam permanecer
em ociosidade, mesmo que o destino dos produtos fossem os armazéns,
depois o setor de marketing, incluído vendas.
Este processo de produção em massa, também conhecido como
processo de empurrar a produção, funciona da seguinte maneira: a direção
da empresa resolve pelo lançamento de um novo produto, co50
munica a decisão para à engenharia de produto que desenvolve a idéia
e projeta o bem e envia a documentação para a engenharia industrial,
que desenvolve o processo, os dispositivos e tudo mais, e remete as ordens
para o setor de produção que fabrica o novo produto; a produção
é transferida para o armazém de onde o setor de marketing se esforça
para enviá-la ao consumidor.
A produção em massa serviu aos interesses dos produtores,
principalmente, após a segunda guerra, quando os recursos financeiros
norte-americanos eram grandes, ocorreu um crescimento demográfico,
havia uma carência de bens, o mercado era altamente demandante, a
população havia sofrido com a retração do consumo devido a catástrofe
mundial e, queria recuperar o “tempo perdido”.
Neste período, inicio da década de 50, o Japão buscava sua reconstrução.
Tudo estava destruído e era necessário direcionar todos os
esforços na formação econômica da nação, implantar e desenvolver novamente
a industria. Foi quando um grupo de executivos da Toyota se
dirigiram aos Estados Unidos para observar e estudar os fabricantes de
automóveis e de autopeças daquele país. Por curiosidade ou premidos
por necessidades individuais, tiveram contato com o sistema de atendimento
ao varejo através dos supermercados.
Embaidos do plano de reconstrução da nação, aliado ao hábito
da autodisciplina, aqueles técnicos observavam e estudavam tudo, e
não deixaram de traçar comparações entre o sistema de trabalho das
indústrias e dos supermercados, notando que este último era completamente
distinto daqueles primeiros. Num supermercado são os
clientes, em função de atendimento de suas necessidades próprias, que
determinam como deve ser o serviço de reposição de mercadorias em
relação as marcas, quantidades e períodos, principalmente num regime
econômico estável no qual é desnecessário manter estoques de produtos
em casa, isto quer dizer que o consumidor é quem “puxa” pelas
atividades daquele tipo de estabelecimento.
4.4.1 - CONCEITOS KANBAN
O sistema de produção puxada é uma maneira de conduzir o
processo produtivo de tal forma que cada operação requisita, da
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operação anterior, os componentes e materiais para sua implementação
somente no instante e quantidades que são necessários.
Este método choca-se frontalmente com o tradicional, no qual a
operação anterior empurra o resultado de sua produção para a operação
posterior, mesmo que esta não o necessite ou não esteja pronta para o
seu uso.
Estendendo-se este conceito à toda empresa conclui-se que é o
cliente quem decide o que se vai produzir, pois o processo de puxar a
produção transmite a necessidade de demanda especifica a cada elo da
corrente.
Retornando a sua terra, aqueles técnicos procuraram
adaptar tudo o que tinham visto nas industrias e nos supermercados à
sua tecnologia de gerenciamento de produção inventada há um século,
desde que se lançaram ao mundo moderno. Estes estudos redundaram
em um sistema de administração da produção “puxada”, controlada
através de cartões, kanban.
Dentre outros propósitos, o mais importante no sistema de
administração da produção através de kanban, assim como em qualquer
outro sistema, é o de aumentar a produtividade e reduzir os custos
através da eliminação de todos os tipos de funções desnecessárias ao
processo produtivo.
O método é basicamente empírico e consiste em identificar as
operações não agregadoras de valor, investigá-las individualmente,
e através da técnica da tentativa e erro conseguir chegar a uma nova
operação que apresentem resultado considerado satisfatório para aquele
determinado problema para aquela empresa específica.
Isto implica em que o sistema kanban não é um receita pronta
que possa ser aplicada indistintamente a qualquer empresa. Mesmo
dentro de uma única empresa serão apresentadas soluções diversas para
cada uma das funções desnecessárias estudadas.
4.4.2 - CONCEITOS BÁSICOS
O conceito básico é fabricar bens com a completa eliminação
de funções desnecessárias a produção, na quantidade e tempo
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necessários, nem mais nem menos, eliminando-se estoques intermediários
e de produtos acabados, com a consequente redução dos custos
e o aumento da produtividade.
A grande maioria das pessoas fazem uma certa confusão entre
o Sistema Kanban e o Sistema “Just-in-Time” - JIT. O Sistema Just-in-
Time, que em português significa no momento exato ou ainda, num linguajar
mais corriqueiro “em cima da hora”, é um sistema de produção
cuja idéia principal é fabricar produtos na quantidade necessária no
momento exato em que o item seja requisitado, entendendo-se aqui que
a exigência pode ter origem externa à fábrica, mercado consumidor por
exemplo, quanto interna, neste caso é feita por uma estação de trabalho
subsequente aquela em que o item é produzido.
O Sistema Kanban é uma ferramenta para administrar o método
de produção JIT, ou seja, é um sistema de informação através de
cartões, tradução de kanban para o português, para controlar as quantidades
a serem manufaturadas pela empresa.
4.4.3 - COMO FUNCIONA
Vamos imaginar um processo produtivo simples, composta de
um centro produtivo para a montagem do produto B - CP-B, que é
composto, entre outros itens, do item A produzido no centro produtivo
A, CP-A.
Quando para a montagem de B são necessários itens A.
O abastecedor do CP-B se dirige ao CP-A, com uma caixa vazia
de produtos e o kanban de requisição de A.
Coloca a caixa vazia no local apropriado, tomando o cuidado
para retirar o kanban de requisição.
Se dirige com o kanban de requisição ao estoque de itens acabados
A.
Confere os dados do cartão de requisição com os dados do kanban
de produção que acompanha cada caixa de produto A.
Se as informações estão idênticas, retira o kanban de produção
da caixa e o coloca no quadro de cartões de produção do CP-A.
Apanha a caixa com itens A, coloca nela o kanban de requisição
e a transporta para o CP-B.
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Quando o serviço no CP-B inicia a produção com o itens A
constantes da caixa de itens A, recém chegada, o cartão de requisição é
retirado e enviado ao quadro de cartões de requisição do CP-B.
A retirada dos kanbans de requisição do quadro é efetuada em
horários pré-determinados ou então quando estiverem acumulados um
certo número de cartões.
Em um centro produtivo no qual são produzidos mais do que
um produto, os itens devem ser fabricados de acordo com a ordem sequencial
dos kanbans que estão no quadro de cartões de produção.
O produto ou a caixa de produto e o kanban devem se movimentar
pela fábrica como um par, isto quer dizer que, é proibida a circulação
de caixas sem kanban e de kanban sem caixa.
O sistema de controle da produção pelo sistema de kanbans
deve funcionar, através dos diversos centro produtivos da empresa,
como se fosse uma corrente contínua fechada. O resultado será que
todos os centros de fabricação do sistema produtivo receberão no momento
exato as quantidades necessárias de itens para que se cumpram
os objetivos do programa de produção.
4.4.4 - VANTAGENS DO KANBAN
Podemos identificar como sendo as principais vantagens de um
sistema de controle da produção através de kanban, o seguinte:
Eliminação do estoque de material em processo;
Os setores produtivos são melhor aproveitados, resultando numa maior
capacidade total das linhas produtivas, ou seja, aumento da produtividade.
Os tempos de obtenção (lead time) são reduzidos, quer a nível de itens
individuais quer em termos de produto final. Portanto, podemos antecipar
nossos prazos de entrega.
Como trabalhamos num sistema de produção “puxada”, o nível de
existência de produtos finais poderá ser reduzido, ou até mesmo deixar
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de existir, devemos lembrar que é o cliente quem determina o ritmo
de produção, portanto se todo o sistema funcionar corretamente quando
o produto estiver terminado estará na hora de entregá-lo, não há
necessidade de ficar armazenado esperando para ser entregue.
O sistema permite uma identificação rápida das flutuações da demanda
e proporciona uma resposta imediata, graças a adaptabilidade do sistema.
Esse ponto é um tanto quanto polêmico, para a confusão entre o
que é causa e o que é efeito. Não há dúvidas que para a implantação
do sistema de kanbans, uma série de atividades não agregadoras de
valor são deslocadas para “fora da produção”, as operações devem ser
padronizadas, tornado o sistema flexível, facilitando as alterações necessárias.
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